Seguidores

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Canyon: "melodias que parecem ter sido arrancadas de uma viagem no tempo"



Tivemos mesmo que esperar o raiar do início do Século XXI para apreciar um representante genuinamente maranhense do rock progressivo, estilo musical que teve apogeu na década de 1970 do século passado, mas que não se restringiu a aqueles anos “viajandões”, influenciados pela psicodelia e concomitantemente pelo minimalismo dos anos 60. Bem, demorou, mas chegou! 

"Antes tarde do que nunca", podem dizer os entusiastas desse gênero tão rechaçado (pela grande mídia) quanto revisitado (por bandas influenciadas pela sua maestria instrumental). É paradoxal, mas uma realidade. Trilhar por esse caminho - nessa ilha açoitada por estilos musicais duvidosos - é para poucos, muito poucos. 

Porém, a Canyon nos brinda com melodias que parecem ter sido arrancadas de uma viagem no tempo, a uma época na qual as rádios do ocidente e de alguns locais do oriente tinham a satisfação de tocar “medalhões”, como Yes, Genesis, Pink Floyd, Rush, e no Brasil: Os Mutantes, O Terço, e por que não mencionar Secos & Molhados, dentre várias outras que estenderiam ainda mais o playlist setentista. 

O fato de ser, na prática, a única banda de progressivo do estado - ainda não ouvi falar de outra - se alia a um traço de independência. Os integrantes são os próprios produtores musicais, ou seja, eles mesmos produzem as gravações, com captação dos instrumentos, mixagem, pós-produção, tudo isso de forma caseira, utilizando um computador. Essa característica, para alguns, é a garantia da manutenção da autenticidade musical do grupo. 

Para a Canyon, a independência, a autogestão e a autossuficiência são os ingredientes principais da banda, formada essencialmente por três instrumentistas. Soa como uma trupe de músicas mais trabalhadas instrumentalmente, catalisada pela filosofia "do it your self" (faça você mesmo) do punk londrino. Lembrando ainda que a arte visual e lay out, com desenhos em preto e branco também são assinados por um dos integrantes, ou seja, uma maravilha! 

Ramon Silva (bateria, voz), Jobson Machado (guitarra, teclado e voz) e Leonel Vieira (baixo, flauta e voz) nos levam às entranhas do estilo, com ótimas passagens, com guitarras limpas em certos momentos, distorcidas em outros, além, claro de um baixo e bateria marcantes, coroando momentos cruciais com teclado e os efeitos sonoros de praxe deste segmento musical. 

De uma maneira bem simples de descrever, os caras vão de influências do hard-prog do Rush ao som mais espacial do Gênesis (década de 70), passando pelas melodias mais rebuscadas dos italianos Premiata Forneria Marconi, Museo Rosenbach e Buon Vecchio Charlie. Cantam em inglês, numa tentativa de atrair a atenção de um público bem maior, espelhado pelo planeta. 

Não é a toa que eles já vêm sendo citados positivamente em blogs especializados em rock progressivo, tanto no Brasil quanto em outros países, como a Argentina. Após o início do grupo, em 2009, gravaram um demo-CDr, intitulado “Elegy for the King”, com três músicas, duas das quais regravadas neste mais recente trabalho, de 2014, um EP, com quatro faixas, remasterizado pelo produtor Antônio Celso Barbieri, no Raw Vibe Studio, em Londres (Reino Unido). 

A Canyon já caiu no gosto de uma parcela de roqueiros da capital maranhense, indo na contramão do que vem sendo produzido por aqui - com competência e qualidade, diga-se de passagem -, com bandas investindo em sonoridades mais atuais, ou de outras vertentes mais pesadas, o que, a meu ver, só enriquece nossa cena rock, independente de estilos. 


O Maranhão tem aparecido mais e a Canyon é uma ótima surpresa, mesmo que pelo ineditismo tardio, exaltando os traços do progressivo, ou seja, do bom e velho rock n roll. Até para fãs de outras vertentes sonoras ou mesmo do rock, vale a pena entrar ouvir o grupo. 

O nome remete imediatamente a aquela paisagem grandiosa, acachapante e não menos desafiadora do território dos Estados Unidos. Assim é a Canyon. Na internet é fácil de encontrar o áudio. É só acessar e adentrar os meandros! Boa audição!

Ouça o EP "Canyon", da banda maranhense de rock progressivo Canyon:

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Banda maranhense Gallo Azhuu mescla rock dos anos 70 com blues, em uma pegada pesada



O primeiro pensamento que vem à cabeça ao ouvir esse CD é de respeito à palavra ROCK, estilo musical que nos últimos anos vem sendo bastante avacalhado, inclusive em terras maranhenses.

Mesmo com certo receio no início, reação recorrente que sempre tenho ao ouvir alguma produção local - não pela aversão ao que é feito por aqui, mas por conta de uma ansiedade positiva por um trabalho consistente -, me sinto bem escutando essa obra.

Outras bandas autorais maranhenses já chegaram a um amadurecimento inegável, como Fúria Louca, Souvenir, Página 57, Chaparral, com um tipo de sonoridade mais acessível, até vertentes mais pesadas, como Tanatron, e a emergente Jack Devil, que, ao que tudo indica, deve alcançar voos mais altos por conta do empenho que os integrantes vêm apresentando, em pouco mais de dois anos de existência.

Porém, o assunto – ou, pelo menos, a linha sonora - a ser tratado nesta abordagem é outro. A banda maranhense Gallo Azhuu investe em um rock com nítidas e irrefutáveis influencias dos anos 60 (a segunda metade) e 70 (na integralidade).

A coisa é apresentada de forma direta, com guitarra, baixo, bateria, sem teclados ou sopro, coroando o trabalho com um vocal tão notável quanto inquietante.

A voz de Patrick é forte, e às vezes gutural, sobre uma base simples, bem executada, sem “vacilos”, e produção técnica na medida certa, muito embora em vários momentos se sobressaiam passagens mais cruas. Mas, pelo menos para uma parcela dos apreciadores do rock setentista, esses trechos são o suprassumo e a garantia da manutenção da essência do rock n roll, vide qualquer disco do AC/DC.

Todavia, antes de prosseguir, uma consideração que julgo pertinente e necessária: produzir música calcada nas raízes do rock dos anos 60 e 70 nos dias atuais é uma missão para poucos. Minha impressão sobre isso é baseada na observação da quantidade (pequena) de bandas com tais influências, ainda que possamos identificar exemplos contundentes de algumas que utilizam o estilo, misturado a elementos mais pops e atuais, fórmula que no fim das contas acabou obtendo êxito comercial.

Um exemplo evidente disso foi o estrondoso sucesso dos Strokes, entre outras bandas internacionais, durante o fim do século passado e início deste. Aqui, em São Luís, além da Gallo Azuhh há também a Canyon, grupo que mergulha ainda mais fundo, chegando às regiões abissais do rock progressivo. Resumindo: música para poucos.

E não posso me furtar, neste momento oportuno, de citar a existência de bandas maranhenses - há muito finadas - que enveredaram na sonzeira alucinante dos seventies.

Nos anos 90, expressões como Ruminando Cogumelos, Loucura Elétrica, O'Clock, Brain Numb, Bota o Teu Blues Band, entre outras agitaram os roqueiros da capital maranhense, em shows que reuniam num mesmo ambiente bandas mais pesadas, punks e até do hip-hop.

Mas, parafraseando o final dos filmes clássicos da série Conan - O Bárbaro: "essa é uma outra história". A Gallo Azuhh herdou, mesmo que inconscientemente elementos desse período do rock maranhense. Acho isso uma maravilha, até pelo fato de atualmente remarem contra a maré.

É o “diferente” - mesmo que reproduzindo clichês de grandes bandas internacionais e nacionais dos anos 70 -, num mar de "modernidades", bumba boi, reggae, metal, entre outras linhas de expressão. Não poderia deixar de falar também do layout da obra. Um ornitorrinco realmente expressa bem o que esses caras são ou pretendem mostrar ao publico que estiver atento.

É difícil ficar indiferente ao trabalho da Gallo Azuhh. Afinal, isso já é um grande passo em meio a um turbilhão - de informações e "informações" - no qual vivemos. 

*Texto publicado originalmente em O Imparcial, em maio de 2013

(Adalberto Júnior)


 


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Banda maranhense de rock progressivo, Canyon, concede entrevista exclusiva ao programa Shuffle

O programa Shuffle desta semana, produzido e apresentado pelo jornalista Adalberto Júnior, veiculado na web rádio Infernal Rites (www.infernalritesradio.com), que vai ao ar aos sábados, às 18h e reprisado às segundas, às 10h, está repleto de atrações. (Teremos uma reprise especial, nesta quinta-feira, dia 14 de agosto, às 22h)

Os músicos Ramon e Jobson, da maranhense de rock progressivo Canyon concederam entrevista exclusiva, em um bate papo descontraído, falando sobre as origens e projetos do grupo, além de detalhes relacionados ao underground do estado, sobretudo da capital, São Luís.

A entrevista será acompanhada de músicas da banda e o programa também veiculará várias outras expressões do underground do estado, com grupos de São Luís, Imperatriz e Timon. Terá também a estreia do quadro Double Trouble, no qual grandes bandas executam músicas de outros grandes nomes da música extrema. Acesse a Infernal Rites nesses horários e boa audição!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Atenção amigos e amigas, estou de volta, com o programa Shuffle, na Infernal Rites Web Radio!



Atenção, pessoal, amigos, amigas, e demais ouvintes que já me acompanharam em outras rádios!

Venho informá-los que estou de volta a um horário musical, à frente, agora, do programa Shuffle, que vai ao ar das 6 da tarde às 8 da noite, na web rádio Infernal Rites (www.infernalritesradio.com) a primeira rádio on line maranhense exclusivamente voltada para a música extrema.

O espaço é direcionado para o rock, nas mais diversas vertentes, com bandas locais, nacionais e internacionais, com informação, entrevistas e um espaço para a troca de ideias, através do e-mail tocaia1@hotmail.com.

Para quem já me conhecia dos programas Cidade Metal, Domingo Metal e Caos, de 2002 a 2003, todos na Rádio Comunitária Ilha do Amor FM; Na Mira do Rock de 2003 a 2004 (Mirante FM) e Agora é a Vez do Rock, 2012 (Cidade FM) é bom novamente estar em contato com vocês!

Para os novos amigos, as boas vindas!

O programa Shuffle estréia neste sábado e terá reprise, em horário ainda a ser divulgado.

Acompanhem também através do perfil (www.facebook.com/infernalritesradio)

Um grande abraço a todos!

\m/